Surfcupe

ENTREVISTA

Voltar 30/06/2015

VÍDEO: A ONDA DA MINHA VIDA POR EMÍLIO HUERTA.

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SurfCupe conversa com Emílio Huerta, que é amigo de Marlos Ferraz, um dos sócios do portal SurfCupe.

 

Emílio é sempre lembrado e convidado para os eventos de ondas grandes. Quando entra um grande swell no Chile.

 

Ele é natural de Valparaiso, Zapallar, no Chile, e nos conhecemos em Fernando de Noronha, em uma de nossas idas, para o arquipélago que é considerado o Hawaii brasileiro.

 

No final do mês de abril e começo maio de 2015 o Chile foi “bombardeado” por um swell épico, onde também ocorreu o Quiksilver Ceremonial, Punta de Lobos. Que foi uma etapa do mundial de ondas grandes do WSL (Liga Mundial de Surf).

 

E no dia da final, em que o mar estava gigante, ele pegou esta onda que relata aqui para o SurfCupe, como sendo a onda de sua vida.

 

“Eu sempre tive uma obsessão em pegar uma onda bem grande, muito por motivação pessoal, por cumprir um sonho, mais também com uma carga emocional às vezes pouco compatível. Essa sensação que nós atletas compartilhamos, e no fundo de nós mesmos, sabemos que existe e falamos com ela quando vamos dormir, olhando a previsão das ondulações, e ainda depois do swell...” comente Emílio.

 

Posso dizer como um surfista aficionado, como muitos do Brasil que gostam de ondas grandes. Como um surfista que não tem patrocínio pode-se treinar para sobreviver ondas de 8 metros, tendo trabalho, esposa e outros interesses? Digo-te o segredo, com três cosas: suporte emocional, yoga e segurança.

 

Suporte emocional:

 

A parte central do corpo no surf, que faz a flexão extensão do corpo é o Músculo Psoas, quando a gente fica num estado constante do meio, insegurança, o Psoas fica comprido, é por isso que quando você está ruim do coração, limitas suas rotações e flexão/extensão que um bom surfista como Kelly Slater precisa para surfar e fluir. Observe na próxima vez que você ver uma foto de seu backside, penso que é meu tube rider favorito. Olhem bem as cadeiras (postura) se estiver distendidas é sinal do que o surfista tem uma vida íntegra, que tem equilíbrio econômico, mental, emocional.

 

Yoga:

 

Quando você não é um filho de pescador a não tem uma família de mar, sempre vai ter a possibilidade de eleger seu destino, mais se todas as decisões que você tem feito fazem de você um sedentário morando na cidade, a forma que você vai ter de ficar saudável e livre de stress é o Yoga. Eu estive antes desta onda morando um ano em Santiago. Fui para Lobos só para os maiores swells do ano e ainda pude surfar, assim como fazer minha coisas com normalidade, trabalho, namorar, etc.

 

Segurança:

 

Agora eu vou-me permitir um desabafo e dizer o que eu sinto:

 

Eu demorei quatro anos em ter um “Inflatable vest” (Colete que infla quando acionado para o surfista emergir, após um grande caldo), nesta onda foi a primeira vez que eu provei o Colete! Faz diferença? Faz. Por que? Em 2011, vi na internet o Shane Dorian provando os primeiros desses, agora todo mundo tem, mais; a segurança é uma prioridade, a mesma que os alpinistas precisam para se amarrar. E o mesmo, todas as respostas que eu tive dos fabricantes foram: “são para surfistas espertos, você não pode provar um deles”... Eu tinha surfado a metade da minha vida, e sempre tentava entender o que era um surfista “esperto”.  É aquele que surfa ondas grandes? Eu tento... Então sou esperto? Não, eu precisava surfar maiores para ser esperto e provar um... mais para surfar maiores precisava de maior segurança. Neste dilema passaram os quatro anos, tive a possibilidade de comprar um com o pouco dinheiro que a minha empresa de Ecoturismo Superfun.cl tem, e fiz uma aposta, apostei pelo rider, e apostei pelo auto-patrocínio (auto patrocínio para pagar ainda o Yoga!, coisa inédita na industria do surf no Chile). Eu recomendo ter o “Vest” sim, como você usa ele e outro tema. Sinto uma proteção dos fabricantes a limitar a tecnologia só para seus atletas, como foi feito com Ayrton Senna, que os resultados foram mais dependentes da equipe que da disciplina e talento. Agora as coisas se inverteram; imagina quanta gente poderia estar surfando com maior segurança se o mercado tivesse autorizado a vendê-los há quatro anos?

 

As coisas chegam quando tem que chegar, e eu agradeço a onda que o mar me mandou, justo depois da final do Ceremonial, tinha a intuição que meu momento chegaria... Na agua, fui para conciliar uma festa mental e dizer OK. Tenho a segurança (não à certeza), estou preparado, e eu quero estar aqui. Um minuto e vinte segundos foi o tempo para que a onda chegasse a mim e eu estava no lugar certo. Sim fiz o tubo, a verdade não me importa, teve a sensação de ter passado a maior placa e depois ter a prancha levantada pela espuma por baixo. Mais sou free-surf, não me importo si for 10, 6 ou 2 pontos, que para mim é pura ilusão, a onda é uma história de vida que você pode cumprir si quiser.

 

 

Por: Redação SurfCupe / Emilio Huerta - Vídeo: James Alfaro.